No Brasil, nos últimos anos vemos um crescimento da insatisfação com a qualidade e os preços dos serviços de transporte público, sendo que este foi o estopim das grandes manifestações ocorridas em junho de 2013 em todo o país. Frente a isso, temos que posicionar a nossa forma da realização deste negócio em comparação de como ele é feito em outros países.

Um dos países exemplo nesta área é a Alemanha, a qual é reconhecida tanto pela qualidade, quanto pelos competitivos preços do serviço. A partir disto surgem perguntas relevantes em relação a quais atitudes o país teve na implementação deste sistema.

Para responder estas perguntas, o artigo faz um paralelo entre o desenvolvimento desta área na Alemanha e nos Estados Unidos, entre os anos de 1990 e 2007. É notável na Alemanha como foi buscado sempre atingir bom níveis de produtividade, para tanto tomaram-se algumas medidas como: Integração das empresas de transporte na busca de abatimento de custos fixos (escritório, garagem); Corte de benefícios trabalhistas não previstos em lei; Investimento para o aumento da qualidade do serviço; Oferecimentos de tickets mensais e anuais ou coletivos; Pressão para aposentar empregados antigos; Infraestrutura para bicicletas em estações. Houveram também formas de desincentivar o uso do automóvel, sendo a principal delas o aumento substancial dos impostos sobre a gasolina, o qual subiu 5 vezes. Outro fator importante que favoreceu o transporte público foi a flexibilização da regulamentação, o que facilitou a entrada de novas empresas no negócio, ou seja, um aumento geral da competitividade. Muitas dessas medidas sofreram grande oposição, principalmente no aumento dos impostos da gasolina, e na flexibilização dos benefícios dos trabalhadores. Para tanto, na aplicação destas medidas, buscou-se fazê-lo de uma forma mais suave. Isto mostra que é sim possível resolver a situação brasileira através de atitudes como estas.

BUEHLER, Ralph; PUCHER, John. Making public transport financially sustainable. Transport Policy, v. 18, n. 1, p. 126-138, 2011.

Membro de RH

Engenharia Elétrica

joaofeck@gelog.ufsc.br