Na segunda-feira, 20 de outubro de 2014, foi feita a discussão sobre o artigo Coordination in humanitarian relief chains: Practices, challenges and opportunities, liderada pelo membro Pathrycia Sant’Anna. Este artigo aborda o assunto de Logística Humanitária e como esta está relacionada com os mecanismos de cooperação e coordenação de uma cadeia de suprimentos tradicional (comercial). Este tema foi trazido pelo fato de não ser uma perspectiva comum sobre a cadeia de suprimentos. Muitas vezes os estudantes não se dão conta de como os conceitos de logística, aprendidos em sala, podem realmente ser aplicados em contextos outros, além de empresas, tal como o caos de um desastre.

Para introduzir a disscussão, foi perguntado qual o entendimento obtido pelos participantes sobre o termo relief chain e quais são seu atores. Segundo os membros, a relief chain é a cadeia que surge após um desastre, com o objetivo de ajudar as pessoas afetadas por ele. Para tanto, tem-se o envolvimento dos governos locais, do exército, de organizações internacionais, de ONGs e do setor privado. Uma constatação interessante é o fato dos membros não terem incluído a logística de pré-desastre neste conceito de relief chain. Na realidade, uma das conclusões do artigo é que existe uma real necessidade de estabelecer centros de distribuição em locais de risco, de forma a facilitar as operações em caso de um acidente.

Além disso, ambos,  artigo e membros, constataram que a existência de tantos atores e de tanta incerteza gera o maior problema de uma relief chain, o conflito de interesses. Assim como afirma  o autor, apesar de todos estes atores terem o mesmo objetivo global de ajudar o próximo, os meios empregados para isto são os mais variados possíveis. Com isso, muitas vezes tem-se a interrupção do abastecimento e distribuição de fundos, devido ao interesse particular ou devido à alguma restrição de uma entidade. Como exemplo deste tipo de situação, tem-se empresas do ramo privado, as quais concordam em doar fundos para ajudar alguma ONG, contudo impõem às organizações como e com o que elas deve gastá-los.

Outros fatores como variedade de línguas faladas, desconhecimento da infraestrutura prévia ao acidente, condições estruturais pós-acidente, ausência de um gestor global e baixo nível de comunicação levam a gestão deste tipo de cadeia a um nível ainda maior de complexidade.

Dado todo este contexto de caos, os autores propõem o uso de mecanismos de coordenação de uma cadeia tradicional, ou seja, comercial dentro de uma cadeia de logística humanitária. Em outras palavras, sugere-se por exemplo, aplicar o mecanismo de VMI sobre a cadeia humanitária. Contudo, após análise do autor sobre as práticas de uma cadeia tradicional e sobre a sinergia delas em relação ao ambiente de caos, verifica-se que nem todas poderiam ser aplicadas. O próprio VMI citado anteriormente não entra como viável, principalmente pelo fator da imprevisibilidade da relief chain. Com a tabela abaixo construída pelos autores, tem-se a conclusão sobre os mecanismos e suas respectivas relações com a relief chain.

 

 

Bibliografia:

BALCIK, Burcu et al. Coordination in humanitarian relief chains: practices, challenges and opportunities. International Journal of Production Economics, v. 126, n. 1, p. 22-34, 2010.

 

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Pathrycia Romero

Graduanda de Engenharia de Produção

Membro do GELOG